Quarta, 21 Agosto 2013 17:14

As carreiras mais promissoras para os próximos dez anos.

Especialistas apontam áreas que devem oferecer boas oportunidades. Educação está entre as áreas que possuem um grande potencial para crescimento.

Na semana passada, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou estudo apontando as carreiras universitárias e técnicas que registraram maior expansão no Brasil entre 2009 e 2012. Ficou a dúvida: quais terão o melhor desempenho no futuro? Eespecialistas em mercado de trabalho da Universidade de São Paulo (USP), Fundação Getúlio Vargas (FGV), Ipea e de empresas de recrutamento e seleção identificaram que as profissões mais promissoras para os próximos dez anos fazem parte de quatro grandes áreas da economia que apresentam boas perspectivas de crescimento. São elas: saúde, educação, tecnologia da informação e comunicação (TIC) e engenharia.

A criação de vagas nessas áreas será, é claro, influenciada pelo desempenho da economia — cujo ritmo, aliás, está longe do desejado. "A taxa de desemprego nacional, que foi de 5,5% em 2012, pode chegar aos 6% em 2013. As perspectivas de emprego para 2013-14, portanto, não são tão boas como no passado recente", afirma José Pastore, professor da Faculdade de Economia e Administração (FEA) da USP.

Ainda assim, para as quatro áreas citadas, o prognóstico é positivo. Na contramão da indústria, o setor de serviços — no qual estão inseridas saúde e educação — apresenta boas perspectivas e está menos exposto a oscilações econômicas. "A área industrial é muito vulnerável à demanda externa: cerca de 20% de tudo o que produzimos é destinado ao exterior", diz Bráulio Borges, economista-chefe da LCA Consultoria.

A FGV têm números a respeito das perspectivas a curto prazo, colhidos entre as empresas dos setores de indústria e de serviços. Enquanto o Índice de Confiança de Serviços (ICS) estabilizou em 119,4 pontos em junho, o congênere da indústria (ICI) caiu, atingindo 103,8 pontos (valores superiores a 100 expressam otimismo). "Há uma demanda forte por serviços de saúde e educação, mesmo quando o cenário econômico não é favorável", afirma Paulo Meyer, pesquisador do Ipea.

Educação e saúde devem colher ainda frutos da ascensão da chamada classe C — que, na definição da FGV, é formada por famílias com renda entre 1.734 e 7.475 reais. Estudo da instituição mostra que 40 milhões de pessoas entraram nesse grupo entre 2003 e 2011, fazendo-o saltar de 65,9 milhões para 105,5 milhões de brasileiros. "É mais gente, com mais dinheiro. E essas pessoas certamente demandarão serviços de saúde e educação. Exemplo disso são os jovens que buscam qualificação técnica ou universitária, embora seus pais possuam pouca ou nenhuma formação acadêmica", diz Eduardo Zylberstajn, professor da FGV.

Tecnologia da informação e comunicação (TIC) e engenharia têm outras razões para colher bons resultados nos próximos anos. No primeiro caso, especialistas apontam a crescente demanda por tecnologia em todos os setores da economia — de indústrias a hospitais, de escolas ao comércio. No caso de engenharia, o impulso deve vir de investimentos em setores como o petrolífero e logística.


Área de Eduação:

A área de educação tem potencial para um crescimento expressivo na próxima década. Como ocorre na área de saúde, déficts passados combinados a maior investimento das famílias devem impulsionar o setor.

A taxa de atendimento escolar à população de 4 a 17 anos aumentou no passado recente, passando de 83,8%, em 2000, para 92%, em 2011. No entanto, o Brasil ainda possui um contingente de mais de três milhões de crianças e adolescentes fora da escola (dados da Pnad 2011). Incluí-los é o primeiro desafio. Para isso, além de políticas educacionais consistentes, o país vai precisar, é claro, de professores.

Os ensinos técnico e superior também devem impulsionar a área. O Censo da Educação Superior 2011, o último disponível, mostra que entre jovens de 18 a 24 anos apenas 17,8% já concluíram o ensino superior ou estão matriculados em algum curso de graduação. Há, portanto, uma lacuna educacional gigantesca a ser preenchida.
Com a ascensão da classe C — eram 65,9 milhões pessoas, em 2003, e passaram para 105,5 milhões, em 2011, segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) —, especialistas acreditam que a população vai investir mais na própria qualificação. Na lista dos cursos com provável crescimento, além de técnicos e de ensino superior, entram profissionalizantes, de especialização, informática e idiomas. Haverá necessidade também de supervisores, diretores e gestores de educação.

Palavra dos especialistas:

"O Brasil tem dificuldade de alavancar a qualidade da educação básica (níveis infantil, fundamental e médio) e precisa de mais e melhores professores. O problema, obviamente, vai ser como atraí-los para a carreira docente com um salário de 1.500 reais por mês. Ainda que a relação entre remuneração e qualidade do ensino não seja totalmente direta, o salário atual parece inviável. É preciso discutir a fundo essa questão."
Eduardo Zylberstajn, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV)

"As instituições de ensino privadas têm o desafio de melhorar a qualidade de sua gestão. Em geral, os cargos gerenciais nessas organizações são ocupados por profissionais com grande conhecimento acadêmico. Há, no entanto, a necessidade de pessoas com experiência na gestão de produtos e com conhecimento de negócios. Pela falta de profissionais adequados, algumas instituições estão apelando para a contratação de especialistas na área de serviços ao consumidor (telecomunicação, energia e saúde)."
Fernando Andraus, diretor da Page Executive, empresa global de seleção e recrutamento

Profissões em alta:

Professores de todos os níveis educacionais (educação infantil, fundamental, média e superior), diretores e gestores.

Instituição de Ensino:

A Faculdade Apoena de Macapá, empenha-se cada vez mais em oportunizar aos estudantes, uma formação capacitada e com reconhecimento. Para tanto, oferta o Curso de Licenciatura em Pedagogia, inserido no âmbito Educacional, que está entre as carreiras mais promissoras dos próximos anos.

Fonte: Veja.abril

 

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